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Alimentar o presente para sustentar o futuro

Alimentar o presente para sustentar o futuro
23 de Setembro de 2020

Em Portugal, os hábitos alimentares inadequados contribuem para a perda de anos de vida saudáveis e para o surgimento de doenças crónicas, como a obesidade, a diabetes e as doenças cardiovasculares. A dieta mediterrânica, padrão alimentar comprovadamente saudável, é seguido somente por um em cada cinco portugueses, sendo que a adesão a esta forma de comer é ainda mais reduzida nos grupos populacionais mais vulneráveis.

 

De facto, os hábitos alimentares dos portugueses têm vindo a afastar-se dos princípios do padrão alimentar mediterrânico e várias podem ser as hipóteses que justificam este afastamento: a globalização; a urbanização; a redução do número de membros do agregado familiar; o desenvolvimento do retalho alimentar, com consequentes alterações sociais, económicas e políticas, com impacto na perda de conhecimento e de práticas alimentares identitárias da dieta mediterrânica.

 

Atualmente em Portugal prevalece uma “ocidentalização” dos hábitos alimentares, com um maior consumo de alimentos de origem animal e um menor consumo de alimentos de origem vegetal, o que, somado a outros erros alimentares, impacta na saúde da população.

 

Além do impacto na saúde, as escolhas alimentares individuais influenciam igualmente o meio ambiente. O modo como são cultivados, produzidos, distribuídos e consumidos os alimentos, bem como aqueles que são desperdiçados ao longo de toda a cadeia alimentar, até chegar à mesa dos consumidores, determinam o seu impacto no meio ambiente.

 

O padrão alimentar mediterrânico, sendo o mais estudado a nível mundial, reúne evidência científica que comprova ser o modelo alimentar a seguir no contexto da prevenção de doenças crónicas. Contudo, os seus benefícios não se resumem à saúde: ao longo dos últimos tempos, tem vindo igualmente a ser documentado que se afigura como um padrão alimentar sustentável, que reúne em si uma relação muito próxima entre a saúde e a alimentação, a produção local, a biodiversidade, a cultura alimentar e a sustentabilidade ambiental.

 

Urge investir na capacitação dos portugueses para um consumo alimentar mais próximo do padrão alimentar mediterrânico, promovendo o consumo de alimentos frescos, sazonais e de proximidade e preconizando o aumento da presença de produtos de origem vegetal. Este caminho terá, certamente, uma redução nos impactos ambientais associados à alimentação, impulsionando, desta feita, a criação de um padrão alimentar sustentável.

 

Os esforços de promoção da dieta mediterrânica e da divulgação dos seus benefícios junto da população portuguesa devem ser ainda mais acentuados, fomentando não apenas os benefícios para a saúde, mas também para o meio ambiente. As consequências ambientais das escolhas alimentares dos consumidores devem ganhar um lugar de destaque na agenda pública no nosso país.

 

Em Portugal, as políticas de promoção de uma alimentação saudável devem procurar incorporar informação clara e compreensível para os consumidores no que respeita às recomendações alimentares e o seu impacto no meio ambiente. A formulação destas políticas só será eficaz se houver um envolvimento de todos os intervenientes do sistema alimentar, por forma a assegurar que os portugueses possam ter uma alimentação sustentável e uma vida plena de saúde.



Alexandra Bento, Bastonária da Ordem dos Nutricionistas

Fonte: Agrotec, edição impressa, setembro de 2020