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Conversas Visão Saúde, com a Bastonária da Ordem dos Nutricionistas

Conversas Visão Saúde, com a Bastonária da Ordem dos Nutricionistas
22 de Dezembro de 2020

“Gostava que os 365 dias do ano fossem saudáveis para que no Natal se pudessem fazer exceções.”


Não é preciso cozinhar as rabanadas no forno ou cortar no açúcar dos sonhos. Se as refeições natalícias forem adequadas ao número de pessoas, é permitido um nadinha de excessos. E, já agora, o ideal seria que no resto do ano o comportamento à mesa fosse o adequado, com pouco sal, menos açúcar e controlo das gorduras.


Um Natal mais saudável? O que a nutricionista Alexandra Bento, bastonária da Ordem, advoga é que os outros dias do ano sejam vividos com comportamentos alimentares ajustados. Se assim fosse com todos os portugueses, nada teria de mal que nos dias 24 e 25 de dezembro houvesse excessos, pois eles fazem parte do convívio inerente à quadra.


Mas o que acontece no resto do ano é um abuso de sal, açúcar e gorduras nas mesas dos portugueses. E nesta época, como bem lembra a especialista, isso é levado ao extremo – cozinha-se muito, em excesso, e depois as refeições natalícias perpetuam-se, pelo menos, até ao ano novo.


Se tudo se resumisse ao prato típico da época, o bacalhau cozido com todos, regado com um fio de azeite, e à roupa velha, que resulta destes restos, estava tudo certo. E nem uma rabanada a mais iria fazer mossa. “O doce está relacionado com a festividade, mas com conta, peso e medida”, acentua.


Alexandra Bento sabe que, genericamente, “os portugueses têm um consumo muito insuficiente de hortícolas e frutas e comem mais do que deviam, caso contrário não teríamos a prevalência de excesso de peso e obesidade que temos”.


O sal é tremendo para a nossa saúde, pois apresenta-se como “fator de risco direto para a hipertensão arterial e, nem por acaso, nós somos um dos países com maior prevalência de casos de doença cardiovascular.”


Perante esta realidade, Alexandra Bento sente-se desiludida com a forma como se está a lidar com o problema, nesta legislatura. Se na anterior, houve várias medidas aprovadas que iam no caminho certo de se transformar a sociedade num ambiente mais salutogénico – como a aprovação da taxa sobre o açúcar ou a melhoria da oferta alimentar nos serviços de saúde – agora o carro ficou em ponto morto. E, seguramente, a Covid não pode servir de desculpa para todo este desinvestimento.


Para ouvir em Podcast:



 



Fonte: Visão, online, 21 de dezembro de 2020