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Escolas falham controlo sobre bebidas açucaradas

Escolas falham controlo sobre bebidas açucaradas
10 de Fevereiro de 2020

Estudo conclui que disponibilidade de refrigerantes aumentou no Ensino Básico, contrariando orientações nacionais. Diretores garantem que só servem água.


As orientações dadas às escolas para que a água seja a única bebida servida aos alunos não estarão a ser cumpridas. A disponibilidade de bebidas açucaradas em 230 escolas do 1.° ciclo aumentou de 2008 para 2016, especialmente os sumos de fruta com açúcar, contrariando as expectativas face às recomendações nacionais.


A bastonária da Ordem dos Nutricionistas lamenta que os estabelecimentos continuem a disponibilizar alimentos desaconselhados, enquanto a associação que representa os diretores escolares garante que apenas água é servida às crianças: "só se as bebidas vierem nas mochilas".


Um estudo realizado por investigadores do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), publicado no último boletim Observações, conclui que o consumo de bebidas açucaradas em crianças dos seis aos oito anos aumentou de 66,4% em 2008 para 80,1% em 2016, mas também que a disponibilidade destas bebidas nos recintos escolares aumentou neste período, apesar das orientações em sentido contrário.


infografia



DIMINUIÇÃO ERA ESPERADA

Os investigadores notam que a Direção-Geral da Educação (DGE) publicou, em 2013, uma circular (atualizada em 2018) com "Orientações sobre ementas e refeitórios escolares", na qual se refere que a água é a única bebida servida e que não é permitido o consumo de outras bebidas nestes espaços.


"Considerando estas orientações nacionais, onde as bebidas açucaradas não devem fazer parte da oferta alimentar escolar, seria expectável um decréscimo de 2008 para 2016 da disponibilidade de bebidas açucaradas nos recintos escolares, contrariamente aos resultados observados", concluem os investigadores.


Os autores - Sofia Mendes, Margarida Bica, Joana Baleia, Francisco Goiana da Silva e Ana Rito - referem que "tal fenómeno poderá estar associado aos níveis de fiscalização do cumprimento das orientações emanadas pela DGE e pelo seu caráter indicativo e, em muitos casos, não vinculativo".


A circular da Direção-Geral da Educação foi atualizada em 2018, mas no que concerne à água nada mudou. Mantém-se a recomendação de ser esta a única bebida permitida nos refeitórios.


ORDEM QUER SUPERVISÃO

"A DGE tem feito recomendações espetaculares, mas os referenciais são insuficientes e as escolas continuam a disponibilizar alimentos que não deviam", afirma, ao JN, a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, considerando que, a par dos referenciais, é essencial fazer a supervisão da oferta alimentar.


Para Alexandra Bento, há várias razões que podem levar a que as escolas não cumpram as orientações: "as direções podem considerar o assunto menos prioritário ou os profissionais podem não compreender" as recomendações.


Há muito trabalho a fazer nas escolas, começando por dar prioridade ao tema, diz a bastonária, lamentando que, mais uma vez, a alimentação não esteja na agenda do Governo quando "devia ser uma grande estratégia nacional".


PRIMÁRIAS NÃO TÊM SUMOS

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores e Agrupamentos de Escolas Públicas, estranha as conclusões e garante que não se recorda de nenhuma escola do 1.° ciclo que dê sumo às crianças.


"Estas escolas não têm bufetes, não vendem nada e na cantina é só água", sublinha, ao JN. A única explicação que encontra é as crianças trazerem as bebidas de casa. "Admito que muitos pais as mandem nas mochilas, isso sim", refere o dirigente.



SABER MAIS

Crianças estão menos gordas. A prevalência de excesso de peso infantil (incluindo obesidade) diminuiu de 37,9% em 2008 para 30,7% em 2016, segundo os estudos COSI Portugal.


Um quinto consome uma bebida por dia. Em Portugal, 22% das crianças com idade inferior a dez anos consomem pelo menos uma bebida açuçarada por dia.


Estudos comprovam efeitos no peso. Diversos estudos reforçam que o consumo de bebidas açucaradas está associado ao excesso de peso e obesidade, tanto em idade pediátrica como adulta. 




Inês Sehreek, inesja.pt

Fonte: Jornal de Notícias, edição impressa, 10 de fevereiro de 2020