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Em tempos de pandemia, o que devemos comer?

Em tempos de pandemia, o que devemos comer?
04 de Abril de 2020

Entre os nutricionistas, o ponto de partida é consensual: não existe neste momento nenhuma evidência que permita dizer que um determinado alimento ou suplemento ajuda a prevenir ou a tratar a COVID-19. Mas dito isto, todos concordam que uma alimentação equilibrada e variada, em que estão presentes diferentes nutrientes, é importante para o normal funcionamento do sistema imunitário, ou seja, das nossas defesas contra a doença.

 

É por entenderem que a diversidade é fundamental que tanto a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, como o diretor da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto e consultor da Direção-Geral da Saúde (DGS), Pedro Graça, recusam a ideia de que existem “superalimentos”, se forem entendidos como alimentos mais eficazes do que outros no fortalecimento do sistema imunitário. “Em alturas como esta é muito fácil surgirem crenças e mitos alimentares”, alerta Alexandra Bento. “Começamos a ouvir falar mais de produtos, como curcuma ou gengibre. Como se o consumo de um só alimento fosse suficiente”, concorda Pedro Graça. Para ambos, a diversidade é a chave de qualquer dieta. E nela têm de estar, logo à partida, frutas e hortícolas.

 

Como a ideia é que não passemos a vida a ir às compras, a aposta deve centrar- -se nos menos perecíveis. Nas frutas, pode trazer maçãs, peras, laranjas ou tangerinas; entre os hortícolas pense em cenouras, nabo, repolho, couve-flor, alhos e cebola. Os produtos congelados também são uma opção.

 

 

Lavar, lavar, lavar

 A sopa, que deve ser comida nas refeições principais, é uma forma de garantir o consumo de vegetais e de manter a hidratação. E a fruta também não deve ser esquecida, com duas a três peças por dia. De resto, é seguir a roda alimentar, incluindo laticínios, cereais, tubérculos e leguminosas. É preciso, no entanto, fazer alguns ajustes nestes dias de confinamento. Como não saímos tanto, é importante reduzir as doses, lembra a bastonária da Ordem dos Nutricionistas. Mas a necessidade de hidratação continua a ser a mesma: 1,5 a 2 litros de água ou o equivalente a oito copos de água por dia. Que não devem ser substituí - dos por bebidas açucaradas.

 

Pedro Graça chama a atenção para a tentação de consumir alimentos com mais açúcar, sal e gordura, que deve ser evitada ao máximo. Até porque alguns problemas de saúde como a hipertensão e a diabetes, que não são compatíveis com estes excessos, são fatores de risco adicional no caso da COVID-19. Outro alerta prende-se com as necessidades de vitamina D, sobretudo junto dos idosos e que podem não estar a ser satisfeitas pelo tempo passado em casa e a falta de exposição solar.

  

Por se tratar de um vírus muito contagioso, é também preciso ter mais atenção nas compras e no manuseamento dos alimentos. Nas orientações que emitiu, a DGS cita a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar e a Organização Mundial de Saúde para afirmar que “não existe, até ao momento, evidência de qualquer tipo de contaminação através do consumo de alimentos cozinhados ou crus”. Ainda assim, deve-se lavar sempre as mãos antes e depois de ir às compras e de preparar a comida, desinfetar com produtos apropriados as bancadas da cozinha, deitar fora embalagens que possam ter sido manuseadas por outros e lavar adequadamente os alimentos que se vão comer crus. “Se o produto for cozinhado não há problema. No caso dos hortícolas ou frutas que se vão comer cruas é conveniente desinfetar”, diz Alexandra Bento. “Pode-se lavar com água, mergulhar durante uns minutos numa solução de um litro de água para uma colher de sopa de lixívia e voltar a passar por água corrente”, sugere.

 



A OMS ACONSELHA

 

Comer bem, limitar o álcool, não fumar

É a primeira regra deixada pelo diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, para manter a saúde física e mental neste período. O sistema imunitário agradece uma boa alimentação. E fumar é ainda pior quando se sabe que o SARS CoV-2 afeta vias respiratórias e pulmões.

 

30 minutos de exercício

Se as regras o permitirem e se não estiver a cumprir quarentena em casa, saia para um pequeno passeio, cumprindo as distâncias de segurança (dois metros) e aproveitando para fazer os 30 minutos diários de atividade física recomendados pela OMS no caso dos adultos. Para as crianças, o tempo deve ser de uma hora. Se tiver de ficar em casa, exercite-se através de vídeos online, faça ioga, dance ao som de música ou suba e desça escadas.

 

Levante-se a cada meia hora

Se estiver a trabalhar em casa, evite manter-se na mesma posição durante muito tempo. A cada 30 minutos, levante-se e ande pelo menos três minutos.

 

Zele pela saúde mental

Em tempos de crise, é normal sentir-se angustiado ou ansioso. Converse com alguém, saiba da sua família, amigos e vizinhos e dê atenção aos outros. Ajudar alguém na sua comunidade pode fazer tão bem a essa pessoa como a si próprio. Leia, oiça música, jogue um jogo e não veja notícias em excesso se fica ansioso. E escolha fontes fidedignas.



Isabel Leiria, ileiria@expresso.impresa.p 

Fonte: Expresso, edição impressa, 04 de abril de 2020