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Suplementos alimentares são bens essenciais? Rio diz que sim, especialistas acham que não

Suplementos alimentares são bens essenciais? Rio diz que sim, especialistas acham que não
17 de Abril de 2020

Rui Rio considera essencial que os portugueses tomem suplementos alimentares para se protegerem contra a COVID-19, no entanto "não existe qualquer evidência científica" de que esses suplementos sejam necessários para esta doença em específico.


"Não há nenhuma evidência científica ou recomendação de alguma autoridade científica, como por exemplo a OMS - Organização Mundial de Saúde, para a toma de suplementos alimentares neste momento em concreto. O que há é um reforço do habitual apelo da OMS para que as pessoas façam uma alimentação saudável, que providencie todos os nutrientes necessários", esclarece ao DN Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas.



Redução de IVA para produtos "essenciais"

O presidente do PSD propôs na quinta-feira a redução do IVA de 23 para 6% em produtos que considera essenciais no combate e prevenção da COVID-19, como máscaras de proteção individual, gel e suplementos para reforçar o sistema imunitário.


"Cada dia que passa, mais difícil será recuperar a economia, temos de começar a planear a sua abertura no curto e no médio prazo", defendeu, sugerindo que se comece por atividades ao ar livre como a agricultura ou a construção civil. Para essa abertura "prudente e gradual", o líder do PSD considerou fundamental "o uso generalizado de máscaras", dizendo que sem a possibilidade de todos as adquirirem "não é possível reabrir a economia". Para tal, Rio defendeu que "basta um despacho do secretário de Assuntos Fiscais" para que o IVA destes produtos de equipamento individual baixe de 23 para 6%, medida que deveria ser estendida também ao gel desinfetante "no imediato".


Já para prevenir uma segunda vaga da COVID-19, para a qual muitos cientistas alertam, o líder do PSD defendeu uma melhor organização hospitalar, uma eventual maior intervenção do Ministério da Defesa e também uma redução do IVA para os produtos que "cientificamente estejam comprovados que reforçam o sistema imunológico". "Sem vacina, só há duas formas de nos protegermos: aumentar a proteção individual e reforçar o nosso sistema imunitário, de forma a que a reação do corpo seja mais forte no próximo inverno se houver segunda vaga", disse.


A preocupação de Rui Rio com a escolha dos suplementos nutricionais já era conhecida desde que participou no programa de entretenimento da SIC, da apresentadora Cristina Ferreira, em dezembro do ano passado: "Tomo muitas vezes magnésio, vitamina B3, quando estou em Lisboa tomo zinco, quando estou no Porto tomo selénio", detalhou então.



Não há evidência médica para a necessidade de suplementos

Alexandra Bento não concorda com Rui Rio: "Devemos adotar medidas políticas baseadas em evidências médicas e, neste momento, não há qualquer evidência de que os suplementos são especialmente necessários", diz. "Poderemos vir a considerar baixar o IVA dos suplementos alimentares ou de outros produtos, mas não com este fundamento."


"É verdade, que a alimentação equilibrada é fundamental para assegurar o adequado funcionamento do sistema imunitário", mas segundo a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, a medida até "poderia ser contraproducente e perigosa", uma vez que poderia incentivar as pessoas a comprar estes produtos sem qualquer recomendação. "Claro que algumas pessoas poderão pensar que seria bom tomar suplementos de vitaminas e minerais, para reforçar o seu sistema imunitário. Mas só o deverão fazer se o médico ou o nutricionista o receitar", explica.


Pelo contrário, esta especialista deixa outro conselho: "Não seria melhor reforçar o consumo de hortaliças e frutas? Não seria melhor aproveitar este período para prestar mais atenção àquilo que comemos e para tentarmos melhorar os nossos hábitos alimentares?"


Alexandra Bento aconselha os portugueses a consumirem produtos frescos (e já agora, diz, ajudando os produtores nacionais) e para reduzirem o consumo de sal, gorduras e açúcar.



Fonte: Diário de Notícias, edição online, 17 de abril de 2020