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Do prado ao prato para mais saúde

Do prado ao prato para mais saúde
26 de Junho de 2020

A forma como os portugueses comem é um dos principais determinantes do seu estado de saúde. Hoje, sabe-se que os hábitos alimentares têm efeitos consideráveis na mortalidade: cerca de 14% das mortes em Portugal estão associadas a riscos alimentares, incluindo o baixo consumo de hortofrutícolas e a elevada ingestão de açúcar e sal.

 

Os resultados do último Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física, de 2015, revelam que, em Portugal, o consumo de fruta e produtos hortícolas é de apenas 284g por dia. Muito, muito insuficiente se tivermos em consideração que a Organização Mundial de Saúde recomenda um consumo diário de pelo menos 400g. Adicionalmente, neste retrato dos hábitos alimentares, o consumo de leguminosas também surge como insuficiente, face às recomendações alimentares.

 

Garantir uma alimentação que seja de base vegetal, tal como preconizado pela Dieta Mediterrânica, com um predomínio de fruta e produtos hortícolas, é essencial para reduzir o risco de desenvolvimento de doenças crónicas, como é o caso da doença coronária, das doenças cerebrovasculares, da hipertensão arterial, da obesidade e de alguns tipos de cancro. Estas doenças são muito prevalentes no nosso País e são as que mais matam e incapacitam na atualidade. E todas elas, direta ou indiretamente relacionadas com maus hábitos alimentares, com particular enfoque para o baixo consumo de hortofrutícolas. Por isso, o apelo à adesão à Dieta Mediterrânica que, sendo um padrão alimentar com uma oferta predominantemente de origem vegetal, de proximidade e que integra uma enorme biodiversidade de produtos sazonais, responde a muitas das preocupações de saúde atuais.

 

As tendências alimentares ao longo dos anos demonstram que o consumidor está cada vez mais consciente da importância da saúde através da alimentação. Neste campo, a indústria agroalimentar tem vindo a acompanhar esta evolução, procurando dar resposta às suas necessidades e preferências do ponto de vista alimentar, e melhorando o perfil nutricional dos seus produtos. Reconhece-se que em Portugal este sector tem sido um importante aliado nas questões relacionadas com a melhoria da oferta alimentar, desde logo pelos acordos voluntários de reformulação dos seus produtos, assinados em Maio de 2019, com vista à redução progressiva dos teores de açúcar, ácidos gordos trans e sal em várias categorias de produtos alimentares.

 

Atualmente, no mercado português é possível encontrar várias opções alimentares, produzidas a partir de diferentes tecnologias de processamento alimentar e que podem promover e incrementar a presença de produtos hortícolas, fruta e até leguminosas na mesa dos portugueses, designadamente os congelados, os refrigerados, os pasteurizados, os ultrapasteurizados e os minimamente processados.

 

A este respeito, e no atual momento em que o País se encontra, os alimentos embalados, nomeadamente os enlatados, ganharam relevância nas compras e na alimentação dos portugueses. É importante incentivar a indústria a continuar o seu trabalho na reformulação alimentar, e designadamente a reduzir o teor de sal, mas também de açúcar e gorduras nestes produtos alimentares. De facto, também os produtos que a indústria nos providência podem auxiliar no cumprimento das recomendações, no que respeita ao consumo de alimentos de origem vegetal. Mas, também é importante que o consumidor os saiba escolher.

 

O caminho está traçado, mas ainda é longo, para se alcançar mais e melhor saúde para a população portuguesa, através da melhoria dos seus hábitos alimentares. Esta é uma responsabilidade partilhada e que dever ser abordada "from farm to fork"



Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas



Fonte: Frutas, Legumes e Flores, edição impressa, junho de 2020